sábado, 28 de maio de 2011

Entrelinhas

Entrelinhas
Entre as linhas
Não há nada!

Somente um espaço em branco,
Ou se estiver escrito, entre as linhas existem letras,
Aglutinadas.
Palavras.
Pontuação.

Entre elas não há significado.
Há sobre elas.
No que está escrito em cima delas.

Entrelinhas
Retas ou tortas
Só existe o que
Supostamente existe.

Existe o que não escrevi
O que não pensei
E o que ninguém vai encontrar.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Definição

“A poesia não se entrega a quem a define.” (Mário Quintana)

Que alívio!

Vivo escrevendo
Sobre escrever
Vivo escrevendo
Que não sou poeta
Que não sei fazer poesia
Vivo tentando
Significar a poesia
Vivo tentando,
Tentando...

Tento viver
Sem querer
Sem escrever
Sem ler.

Talvez por isso não se entregue a mim.
Jamais vou parar de tentá-la
E cada vez menos entendê-la.

Desafio-te então poesia:
Defina-me!

Não me considero poeta

E nem escritor
Sou apenas um ser,
Sentimentalóide
Que comprou um caderno
E uma caneta.

Que um dia sentou na sarjeta
Sem caderno sem caneta.
Que um dia teve pena de si
E resolveu escrever sobre isso...

E desejou ser poeta escritor
E menos mentiroso.

O caderno e caneta eu ganhei.

domingo, 22 de maio de 2011

Fui poema

Já fui poesia que te tocou inteira
Seduziu-te o corpo doído
Possuiu-te, mordeu-te a boca
E te gozou.

Já fui teu poema inteiro
Escorrido
Líquidos corporais
Vontades carnais

O que mais?
Não dá pra dizer
E nem rimar
Não se põe em versos
Mas em teu sexo
Que um dia foi pra mim
Poesia
Prosa
Conversa
Insônia

Horas a fio
De versos não escritos,
Vividos
Como deveriam ser
Ruidosos
Sem rima consoante

Um dia te fui poema
Um dia foste meu tema
Agora só saudade
Vontade

Um poema daqueles
Sem rima
Sem papel
Sem pena.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Felizmente infinito

Estou a cada dia que passa
Mais convencido em render-me
Ao meu imenso prazer
Ainda serei escritor
Eu mesmo

Que se dane se não sou bom
Não sei disso e não quero saber
Se ruim não me importo
Escrevo é pra mim mesmo
Por prazer
Por entorpecimento
Por encantamento
Não quero reconhecimento
E nem sentar nas cadeiras
De Machado

Coitado!

Ai que dor,
Omitir dois versos que gostaria
Que aqui estivessem.

Coitado do Machado
Que era,
É!
Um grande escritor
Criador, sabedor, inventor, entendedor
Coitado do Machado
Se um dia me vir lá sentado.

Eu quero é só escrever em paz
Sem ter que estudar gramática,
Concordância, semântica, sintática.

Eu quero brincar de ser Deus
Criar meu Adão e minha Eva
Para que cresçam e se multipliquem
Desejo que Ele me permita
Viver este meu domínio fantástico
Que crio a todo o momento
Espero que Ele me perdoe
Por escrever esta estrofe.

Não gosto de contos, crônicas, romances.
Têm que ter personagens
Criar psiquismos
Traçar destinos
Maltratá-los, enganá-los
E matá-los.
Fazê-los pensar que são felizes.
Coitados.

Nunca escreverei uma história de amor
Não preciso escrever estas coisas,
Colocá-las no papel.
Eu quero é VIVER uma delas!

Finais felizes, não nas minhas histórias
Deixo-os para os filmes
E chorar de emoção e felicidade

Se eu escrever um final feliz
Será idiota,
Ridículo como uma carta de amor
E nada original.
Será sempre um delicioso beijo na boca.
Este é o melhor final feliz que consigo imaginar.

Eu quero mesmo é escrever
O tempo todo
A vida toda
Qualquer coisa
Pois é assim que meu final feliz é infinito.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Está na moda

Uma ditadura
Criada pela ilusão
Do modelo
Do que é belo

Todas,
Elas
Belas
E iguais

Magrelas
Retilíneas
Aparentes
Doentes

Iludidas
Ludibriadas
Escravizadas

Escovinha
Progressiva
Dietinha

Ilusão
Da visão
Alucinação
Aceita como realidade

Vozes do além
Ditando regras
Para este padrão
Esquizofrênico de beleza.

Seguir por Email