sábado, 10 de setembro de 2011

Ausência


Precisei de 48 versos pra nem chegar perto do que Alberto Caeiro fez com apenas três...

em "O Pastor amoroso IV - 10/07/1930"
"...
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
..."

De quê é feita a ausência?
Do não estar,
Do vazio,
Do nada?

Da falta de alguém?

Se da falta de alguém
Já não há mais ausência,
Há alguém.

Sou preenchido de um vazio
Que aumenta,
Só aumenta,
Que se faz presente na ausência.

Se é vazio,
Se é ausência,
Que diabos!!!

Por que isto me preenche
E toma conta de tudo?

Quando não estás também me sinto ausente
Do mundo,
Do presente.

Só me resta pensar que ausência
Não é nada,
Não é sentimento,
Não existe.

Ausência é não sentir nada.
Porque quando não estás
Não sinto tua ausência,
Sinto sim um desejo enorme de ter você presente.

Ausência seria
Não te lembrar,
Não pensar em ti.

Mesmo quando não estás, estás.
Estás presente em meus pensamentos,
Em meus sentimentos e em meus desejos.

Penso que tua ausência
Resume-se apenas em não te ver,
Não te olhar, tornando-se assim somente
Uma anulação dos sentidos.
Não te ver,
Não te tocar,
Não te ouvir,
Não te cheirar,
Não sentir o gosto de teu beijo.

Sendo assim torna-se apenas
Uma questão de não sentir nada.

Então sei o que é,
Pois sinto o tempo todo
Quando não estás.

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