quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ciência exata

Escrever é preciso
Uma ciência exata
Saber sintática
Saber gramática

Escrever é preciso.

Pingos nos is,
Vírgulas,
Rimas.

Ah! Inferno de precisão.

Dicionários
De rimas
Sinônimos
E antônimos

Escrever é preciso
É precioso
É poderoso.
Quando escrevo sou poderoso,
Liberto-me de fantasmas.

Liberto-me porra nenhuma
Apenas os aprisiono
Atrás das grades destas linhas

E volto sempre pra vê-los
Aprisionados heroicamente por mim,
Minha caneta
E meu caderno
Mas quando me olham
Por de trás das grades,
Escarnecem.
E dizem que quem está preso
Sou eu!
Do outro lado das grades
Aprisionado na precisão da escrita.

sábado, 15 de outubro de 2011

Completamente livre


Completamente livre

Vivo preso num hospício
Chamado ‘meu corpo’
Aprisionado dentro da carne
Contido pelas amarras
Das necessidades fisiológicas

Vivo preso num manicômio
Que se chama ‘minha mente’
Repleto de jardins,
Fontes e estátuas de musas,
Infindáveis rebanhos errantes
Nas colinas azuis dos delírios
Das árvores cheias de maritacas

Vivo completamente livre
Em um lugar chamado
Sociedade, livre do que quero
Livre do que espero
Livre das minhas ideias

Sou insano e comportado
Louco e consciente
Responsável e doente
Crente na anarquia
Que existe plena
Nas prisões em que
Sou plenamente livre

domingo, 9 de outubro de 2011

Contentamento



E eu que ando triste estando contente.
Contente por estar aguentando sozinho
E triste por estar acontecendo sozinho

Eu é que ando triste
Por que estou contente
Em estar sozinho

E tão contente
Em estar sozinho
Que preciso de alguém
Para dividir este contentamento.

sábado, 8 de outubro de 2011

Expelir




Quero expelir no presente
                              Em primeira pessoa
                                                               Não quero expulsar
                                                                                     Ou arremessar

Preciso por pra fora expelindo
Agora
Indicando minha revolta
Excomungando etimologia
Em apologia ao desrespeito

Em desinência
Sendo radical

Eu EXPILO mesmo

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

De braços e lápis dados continua . . .


"Caro senhor Joaquim; primeiramente peço-lhe perdão pela liberdade tomada nesta carta já que nosso relacionamento sustenta poucos anos de superficialidade cotidiana, fato que tornaria quase injustificável uma confissão como a que eu farei. Mas a questão é exatamente essa: eu não estou aqui com a finalidade de estreitarmos nossos laços, muito menos possuo qualquer ilusão de que o senhor poderá, por meio destas ............................... "    clique acima, para ler interio!

Rotina

Na superficialidade cotidiana
Dos cordiais 'bom dias', 'bom descanso'
Eu muito manso, quieto...
Descobri uma moça.
Que me fez deixar de lado
O olhar obsceno, do desejo pequeno
Aprendi o olhar simples
Que não traz desejo, angústia

Olho-a, rezo-a
''Te tenho uma reza"
Sempre digo a ela!

Ladainha dentro do pulso
Sinto e ressinto, mas não engano,
Não minto, só omito!

Ah o tal amigo do Joaquim...
Não sou eu, e de quem falo é moça
Que me espreme e força
A não querer mais do que devo

A rotina, desse Joaquim, parece banal
A minha um conforto
Absorto na graça austera,
Complicação sincera,
Pensamento célere
Vê-la na surpresa da imprevisibilidade
De sua cotidiana elegância,
Alternância...
Um dia lentes
Noutro óculos

A moça, vejo todo dia
Dia a dia,
E a cada um que passa
O outro pra trás...
Que bem poderiam ser
Seus passos em minha direção
Vindo entregar-me uma carta
Dizendo...

Ah! nem é preciso dizer...

Um dia sem Contação

Um dia fui ler o Contação... e estava assim:

"Queridos leitores de Letras et Cetera,

Infelizmente, por motivos de saúde, não consegui preparar um novo conto para publicação nesta quinta-feira. Minhas sinceras desculpas aos que vêm aqui todos os dias à procura de novos textos, e em especial aos amigos que tanto esperam a publicação semanal desta minha coluna.
Tenho certeza que encontrarão outros textos maravilhosos nesta revista literária digital!
Um grande abraço e até a semana que vem,

Mariela Mei"

Saiu isso então:


E o pseudo poeta se entristece
Na ausência do conto
Da tinta que não pinga
Da ponta da pena, da caneta, do grafite
Ou dedo que a digite.

E sente-se só.
Sem a letra
Sem a frase
Sem o tema que dispersa...

Me atrapalha, eu quem gosta
E trabalha.
Mas pára ansioso
Na Contação

Que hoje não me contou
Não me encantou
Na verdade, me perturbou,
Mais do que um texto ruim!

Me entristeceu...
Sem conto
Sem poema
A amiga, doente...
Doente, eu...
então eu faço a contação!
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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Do avesso



Eu existo é pelo avesso
Porque o que sou
Não pode ser visto
É desagradável, indesejável

Então dou-me as próprias costas
Rasgo-me pela testa
Meto-me neste corte adentro
E mais um esforço
E estou pronto
Todo direitinho
Do jeitinho que querem ver
Comportadinho e direitinho
Mas por dentro mesmo
Todo do avesso

Avesso a tudo
Avesso ao direito
Avesso às normas
Avesso sempre
Vivo do avessoSó assim vivo direito

Quer saber?
Vire-me do avesso
Que verás a mesma coisa.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

domingo, 2 de outubro de 2011

Quitanda (a Eça de Queirós)

...escrito talvez numa tarde de maio em 2011

Talvez deva mesmo
 Abrir uma boa quitanda
 Dedicar meu precioso tempo
 Em algo útil, vender comida, fruta.
 Lindas mangas, brilhantes de cor intensa

Subjugo meus sentimentos a outro
 Que deveras não irá senti-los
 Minhas doces mangas
 Ah estas sim, sentirão de fato o sabor.

Entrego-me despido
 Sem pudores moralistas
 Pensando ser altruísta
 Que alguém se identifique
 E o que vivi lhe sirva de ajuda

Ledo engano
 Vou é vender fruta
 Mesmo.

‘Bom dia senhora’
 ‘Obrigado pela preferência’
 ‘Tchau, até amanhã’

Quanta gentileza!

Apodreçam meus versos
 Todos na gaveta
 Amadureçam os frutos
 Todos na prateleira

Um livro meu?
 Só se for do fluxo de caixa
 Da minha nova empreitada.

Minha prosa e poesia serão encaixotadas
 Junto das berinjelas velhas
 Chicórias murchas
 Tomates podres

E depois jogados
 À terra virgem
 Para servirem de adubo
 A algo que cresça
 E sirva para alguma coisa

Minha quitanda vai chamar-se:
 Livraria.
 E vai ter livro com casca
 E fruta com capa
 E versos de cebola
 E cachos de letras
 E abobrinha do tipo prosa
 E poesia do tipo goiaba

E verde...
 Só Cesário.
 E eu...
 Vou ser empresário.

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Parece que ao fim da vida, Eça de Queirós disse que teria sido mais útil a sociedade se tivesse aberto uma Quitanda.

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