sábado, 19 de novembro de 2011

Desmemórias


De que me vale ocupar-me de memórias
Escrever novas histórias, contos novos
De fadas fadadas ao fado, lamento

Ocupe-me com sua presença de bruxa
Com pequenos detalhes no rosto
De leve uns entalhes da idade...

Minha vida, vinda, vinha
Colhida, colheita pisada
Vinho...

Brindo o brio da idade
Consumido nas lembranças
Dores de cabeça, a beça

Sonho sempre, que talvez não te esqueças...

De que vale ocupar-me o tempo
Com vinho velho fora do barril
Com memórias de fantasias avinagradas

Sonhei sempre um dia poder lembrar
Do que nunca foi história nenhuma
E nem sonho dormido

Um pesadelo acordado
Sonhando com a história de ser amado
Ocupando minha memória com delírios
Desvarios obscurecidos na saudade

Deste teu sangue que se fosse sagrado
Poderia ser bebido...
Como não é mais puro
Só me serve de arder as feridas
Dos desejos inexatos, insanos

Mundanos...

De que vale ocupar-me agora,
Em dizer-te sobre tudo
O que não me é memória

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