terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O almoço e saudade



E lá estavam as duas grande amigas e companheiras, uma sentada a mesa iniciando a refeição. Dentro de alguns minutos deveria voltar ao trabalho; bem próximo de onde mora. Isso lhe permitia almoçar em casa todos os dias. Já a outra, a mãe, estava a beira da pia já adiantando a lida para se permitir um descanso durante a tarde, de um modo ou outro já tinha umas pernadass de vida a mais que a filha caçula.
Conversavam sempre, assunto sempre havia em base de respeito mútuo. E diga-se de passagem : ah, como havia um conta de vida alheia no meio dessas conversas.
Enquanto uma cuidava das coisas sobre a pia a outra almoçava vagarosamente. A mais velha lhe perguntou o que estava acontecendo. A resposta foi certa, simples e objetiva. 'Saudade, mãe!'
-- E quando é que ele volta?
-- Dia vinte e sete.
-- Come tudo menina, se não já sabe!
-- Não se preocupe não, estou me alimentando direito, é que a minha cabeça vai longe e esqueço de por a comida na boca. Sinto fome sempre, mas a saudade a obscurece um tanto.
-- Será que ele vai te trazer presente?
-- Sei lá mãe! Pelo que conheço é capaz de aparecer com uma coisa que eu nem sei o que é, e vai me contar uma história tão comprida e cheia de floreios sobre o significado do lugar onde comprou, quem passou por lá nos séculos anteriores, etc. Sabe-se lá! Bem possível até de me aparecer com uma pedra que achou bonita no meio do caminho. Ah mãe, você sabe como ele é, e além disso foi com o dinheiro curto, bem possível gastar tudo em comida e bebida e se esquecer de me comprar algo... Não me importo, quero que ele volte logo.
--É verdade menina! Como é que pode beber e comer daquele jeito e não engordar? Quando vocês comem aqui no fim de semana eu fico olhando ele comer... Na verdade eu gosto qundo ele come daquele jeito, é que ele cozinha tão bem... se come minha comida assim é porque deve ser boa mesmo.
--Mãe, você está maluca? Sua comida é ótima, ele detesta feijão e a senhora nem sabe.
--Verdade? Mas por que ele sempre repete o arroz e feijão, sem pegar mistura?
--É que ele diz que seu feijão é mágico.
A mãe vendo a filha quase a terminar com a comida do prato tranquilizou-se e voltou a pia. De repente um silêncio. Volta-se para trás e olha para a mesa : a filha havia comido toda a comida com exceção de uma azeitona, para a qual olhava e chorava sem parar.
--Tudo bem filha, logo ele volta, come a azeitona pra mim lavar o prato.
--Não consigo mãe, ele sempre pede as azeitonas do meu prato.
--Essa você pode comer, não tem caroço.
--Como assim?
--Ele me disse uma vez que não gosta de azeitona sem caroço, não tem graça! Você não sabe disso?
--Sei sim mãe, mas quem come as azeitonas do meu prato é sempre ele, com ou sem caroço. Come a senhora, senão me atraso pra voltar.
E a 'menina' levantou-se fez sua higiene, despediu-se da mãe e saiu.
A mãe ficou olhando o prato, a azeitona e sentiu saudade do genro. Chamou o cachorro e deu a azeitona pra ele, lavou os últimos utensílios e pensou : 'Afinal, às vezes ele dava uma azeitoninha pro cachorro. Não ia se incomodar.'

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Simples como A + B


Uma conjunção de fatores aleatórios
Se converte em matéria.

Uma causa a velocidade da luz.

A simples desaleceração de "coisas"
Faz com que estas se tornem matéria,
Ou o que tem massa.

Este conceito,
De matéria se resume ao entendimento de massa.

Ou será que ninguém parou pra pensar nisto?

Será que alguma pessoa imagina matéria sem massa?

De que vale uma explicação linda se não é de entendimento de leigos?

Para a merda estas explicações maravilhosas que ninguém entende.

De que vale a vida se nela não nos façamos pequenos e ignorantes?

Sejamos como somos,
Seres comuns
E ignorantes e estúpidos.

Seres comuns e donos
De nossos próprios pensamentos.

Ignorantes e Imensos...
Donos de nossa própria ignorância
E Soberbos, donos de nós mesmos,
Absolutos.

Sejamos ignorantes,
Em nossa sabedoria ridícula.

Mas, sejamos nós mesmos...

Bestas...

E donos de nosso próprio pensamento...

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