domingo, 5 de maio de 2013

A luz da graça


Tua beleza não se mostra
Apenas através dos traços do rosto
Ela reluz toda vez em que se transformam
Num sorrir suave

Tua beleza não está
Nos contornos perfeitos
Que meus olhos veem

Também não se revela
Em teu andar sutil
Que mais se parece com um balé
Onde sou um mero expectador

Não aparece nos cabelos que descem
Ao lado da tua face alva
Tocando levemente o pescoço
E repousando por sobre os ombros
Que são como abismos onde ela cai
Até repousar por sobre as mãos delicadas
Que desenham gestos no ar
E nem é levada por elas

Toda tua beleza
Seria morta diante de mim
Sem a tua graça
A luz que me faz vê-la

De que me adianta
A graça que ilumina
Tua beleza de ninfa
Se não conheço o timbre da tua voz
E a melodia do teu falar

Qual o sentido em admirar
Teu pescoço de contorno perfeito
Sendo que nunca ouvi
O vibrar das cordas que este esconde

Meus ouvidos atentos
Desejam ser surdos
Em solidariedade aos olhos que temem
O que aqueles venham a ouvir

E de nada me serve
Essa luz absorvida por meus olhos
Que refletem todas as cores
Restando apenas a melancolia
De um azul inútil

Beleza sem a graça
Graça sem o amor
São como versos no papel
Alimentando uma traça

ação contínua


vejo algo esvair-se 
um desejo a morrer 
uma lágrima sólida 
escura e dolorosa

o cair do pano 
aplausos de praxe 
práxis, plexus 

ajoelho, renasço
sem desejo 
simplesmente refaço

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