sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Passagens de "Almoço Nu" de William S. Burroughs (II)

Uma transcrição de um diálogo entre personagens escritores. Faz parte de uma cena do filme ALMOÇO NU, baseado no livro homônimo escrito por William S. Burroughs. Trata-se de uma discussão se um texto deve ser reescrito ou não, cada personagem dá sua argumentação dizendo se é 'certo' ou 'errado'.  A conclusão do Bill(o personagem do próprio autor é fantástica: "Estou completamente fodido se for. Elimine todo pensamento racional, é essa minha conclusão.")

HANK :

"So you can't rewrite...
'cause to rewrite is to deceive and lie...
and you betray your own thoughts.
To rethink the flow and the rhythm
and the tumbling out of the words...
is a betrayal.
And it's a sin, Martin.
It's a sin."

MARTIN :

"I don't accept your, uh...
Catholic interpretation
of my compulsive, uh...
necessity to rewrite
every single word at least 100 times.
Guilt is...
Guilt is the key, not sin.
Guilt re-not writing
the best that I can.
Guilt re-not, uh, considering everything
from every possible angle.
Balancing everything."

HANK :

"Well, how about guilt
re-censoring your best thoughts?
Your most honest,
primitive, real thoughts...
because that's what your laborious
rewriting amounts to, Martin.
Is rewriting really censorship, Bill?"

BILL :

"Because I'm completely fucked if it is.
Exterminate all rational thought.
That is the conclusion I have come to."

domingo, 10 de novembro de 2013

Celebro só

Celebro só, minha existência
Sabendo que a meu lado
Existe aquilo que creio
Aquilo que sei ser maior

Só, celebro a juventude acabada
A parca maturidade ainda por vir
A dor que me enobrece
Porém a carne que só, perece

Percebo-me adiado até que...
O inevitável atinja o dia
A que nada mais preste
E que por fim nem procria

Mas da peste me livro
Da veste que nunca foi minha,
E nem ao menos a quis,
Terei-a, mas despido
Serei comido
Serei cuspido
E deixado apenas
Na minha própria memória
Sepultado e lacrado no passado

Porque o novo ainda por vir
Quer morte, quer vida
Quer dor, quer alívio
Quer só ser e nunca ter-se.

sábado, 9 de novembro de 2013

GOOD DAY por Dresden Dolls


 (de Amanda Palmer, adaptado por Guilherme Coutinho)

Então você não quer ouvir minha boa canção?
E você não não quer ouvir como ando me virando
Com todas as porcarias que não dou conta
O sol está no céu e eu com minha solidão
Então você não quer ouvir sobre o meu bom dia?
Você tem coisas melhores a fazer do que me ouvir

Deus, tem sido um dia agradável, tudo indo a minha maneira
Levei o lixo pra for a e estou excitado…

Então você não quer me ouvir falar sobre meus bons amigos?
Você não tem estômago pra aguentar a verdade ou consequência
O sucesso no olho de quem vê

E está cada vez mais parecendo melhor olhando a sua indiferença

Não estou te sugerindo disposição para um interrogatório

Mas meu Deus, pense nas pontes que você tem incendiado
E aposto e penso mesmo que você sempre soube
Desde o começo
Melhor que você seja uma vadia do que um comum coração partido

Então siga adiante e fale de seu mal dia
Eu quero todos os detalhes de dor e miséria
Que tem imposto aos outros
Pois os considero meus irmãos e gosto

Deus, tem sido um dia agradável, tudo indo a minha maneira

Joguei croquet hoje e estou excitado

Recolhi as partes do meu ego despedaçado
E finalmente levei minha paz o mais longe que pudéssemos levar
Mas gostaria que você desse uma olhada no lugar
E gostaria de fazer mais do que sobreviver e esfregar em sua cara

Ei, tem sido um dia agradável, tudo indo a minha maneira

Tive bastante diversão hoje e estou excitado
Deus, tem sido um dia agradável, tudo indo a minha maneira

Desde quando você caiu fora estou excitado
Então, não quer ouvir sobre meu bom dia?

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

e feito Cruz e Souza


tu menina, que te achas especial
uma princesa perfumada, tal e qual
mas qual o que?

que já o dito na ironia dos vermes,

nos apodrecimentos da matéria
irás cheirar mal como outra qualquer
e nem terás o privilégio de Cubas
que humildemente dedicou as memórias
ao verme que lhe devorou a carne.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Passagens de "O Lobo da Estepe" de Hermann Hesse (I)


"(...)
Não entendo nem compartilho essas alegrias, embora estejam ao meu alcance, pelas quais milhares de outros tanto anseiam. Por outro lado, o que se passa comigo nos meus raros momentos de júbilo, aquilo que para mim é felicidade e vida e êxtase e exaltação, procura-o o mundo em geral nas obras de ficção; na vida parece-lhe absurdo. E, de fato, se o mundo tem razão, se essa música dos cafés, essas diversões em massa e esses tipos americanizados que se satisfazem com tão pouco têm razão, então estou errado, estou louco. Sou, na verdade, o Lobo da Estepe, como me digo tantas vezes — aquele animal extraviado que não encontra abrigo nem alegria nem alimento num mundo que lhe é estranho e incompreensível.
(...)"

em O Lobo da Estepe de Hermann Hesse

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