terça-feira, 17 de maio de 2011

Felizmente infinito

Estou a cada dia que passa
Mais convencido em render-me
Ao meu imenso prazer
Ainda serei escritor
Eu mesmo

Que se dane se não sou bom
Não sei disso e não quero saber
Se ruim não me importo
Escrevo é pra mim mesmo
Por prazer
Por entorpecimento
Por encantamento
Não quero reconhecimento
E nem sentar nas cadeiras
De Machado

Coitado!

Ai que dor,
Omitir dois versos que gostaria
Que aqui estivessem.

Coitado do Machado
Que era,
É!
Um grande escritor
Criador, sabedor, inventor, entendedor
Coitado do Machado
Se um dia me vir lá sentado.

Eu quero é só escrever em paz
Sem ter que estudar gramática,
Concordância, semântica, sintática.

Eu quero brincar de ser Deus
Criar meu Adão e minha Eva
Para que cresçam e se multipliquem
Desejo que Ele me permita
Viver este meu domínio fantástico
Que crio a todo o momento
Espero que Ele me perdoe
Por escrever esta estrofe.

Não gosto de contos, crônicas, romances.
Têm que ter personagens
Criar psiquismos
Traçar destinos
Maltratá-los, enganá-los
E matá-los.
Fazê-los pensar que são felizes.
Coitados.

Nunca escreverei uma história de amor
Não preciso escrever estas coisas,
Colocá-las no papel.
Eu quero é VIVER uma delas!

Finais felizes, não nas minhas histórias
Deixo-os para os filmes
E chorar de emoção e felicidade

Se eu escrever um final feliz
Será idiota,
Ridículo como uma carta de amor
E nada original.
Será sempre um delicioso beijo na boca.
Este é o melhor final feliz que consigo imaginar.

Eu quero mesmo é escrever
O tempo todo
A vida toda
Qualquer coisa
Pois é assim que meu final feliz é infinito.

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