domingo, 5 de maio de 2013

A luz da graça


Tua beleza não se mostra
Apenas através dos traços do rosto
Ela reluz toda vez em que se transformam
Num sorrir suave

Tua beleza não está
Nos contornos perfeitos
Que meus olhos veem

Também não se revela
Em teu andar sutil
Que mais se parece com um balé
Onde sou um mero expectador

Não aparece nos cabelos que descem
Ao lado da tua face alva
Tocando levemente o pescoço
E repousando por sobre os ombros
Que são como abismos onde ela cai
Até repousar por sobre as mãos delicadas
Que desenham gestos no ar
E nem é levada por elas

Toda tua beleza
Seria morta diante de mim
Sem a tua graça
A luz que me faz vê-la

De que me adianta
A graça que ilumina
Tua beleza de ninfa
Se não conheço o timbre da tua voz
E a melodia do teu falar

Qual o sentido em admirar
Teu pescoço de contorno perfeito
Sendo que nunca ouvi
O vibrar das cordas que este esconde

Meus ouvidos atentos
Desejam ser surdos
Em solidariedade aos olhos que temem
O que aqueles venham a ouvir

E de nada me serve
Essa luz absorvida por meus olhos
Que refletem todas as cores
Restando apenas a melancolia
De um azul inútil

Beleza sem a graça
Graça sem o amor
São como versos no papel
Alimentando uma traça

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Sobre meus versos

I-

Versos vividos
Versos fingidos
Versos sonhados

Não importa,
Escrever é a lei!

II-

Quero versos livres
Simples e claros
Sem dor
Sem excesso

Quero versos livres
Sem raciocínio
Sem lógica
Descomplicados e límpidos

Quero versos livres
Livres
Livres
Livres de mim
Da minha tristeza

Mas que todos permaneçam trancados em meu caderno.

III-

Uns versos vermelhos
De pena exangue
Extravasam constantemente
Outros versos ardentes
Da pena de Fênix.

Extinguem momentaneamente versos coxos
De um arremedado desejo parnasiano

Aqueles mal escritos
De meias palavras
De nenhum entendimento

O verso
O reverso
O sentido
O indesejado avesso ao verso do verso

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Minha cruz

Um lado meu crê na ressurreição
O outro lado da cruz diz-me : Não!
Vejo no que transformaram o amor do qual falou
E desejo crer na ressurreição e assunção
Pois se tivesse sido sepultado
Daria voltas no túmulo ao ver o que fizeram
Com o amor que pregou


Foi pregado!


Se ressuscitado ou não
A mim tanto faz
Eu creio mesmo no que falou
E não no espetáculo em que transformaram seu nascimento
Ou até mesmo morte
Se eterno ou não
Não interessa-me saber
Apenas CRER é-me simples e solução

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Blind

I can't see with my eyes
But I can see through the others
I can't see the rain
But I can smell it before it drops
My eyes were devoured by the darkness
But my fingers can touch what I've needed to see
This is my blindness, this is my blessing

sábado, 1 de dezembro de 2012

Miracle


Touch me
So you can free me

This cage, my body
This ilness, my party

Touch me
Free me

These chains, my thoughts
These feellings my lock

Touch me
Feel me

This pain, my pleasure
These days, my death

Touch me,
I'm sick!