for Amanda Palmer
I'm not begging you to fill up my can
But you can colaborate to feel
I'm not asking you to pay my rent
But you can stay and look
It doesn't matter how long...
This is my work
And I call it art
This is my life
And we are not apart
Here I'm
Standing, staring at an empty space
And at your empty stare
And I'm not begging you to throw a penny
Inside of my fucking can
Although, would you dare?
"(...)
fui colocado em contato com o impostor,
o espírito maldoso,
e manobrou-me para uma luta sem fim durante a vida
da qual não havia escolha,
a não ser escrever a minha saída.
(...)"
William S. Burroughs em Queer
domingo, 22 de setembro de 2013
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Alberto: meio homem, meio fantasma.
Precisamente às dez horas e vinte e dois
minutos daquele dia, Alberto sentou-se na beirada de sua cama, sempre bem
esticada e arrumada pela manhã, e ao afastar as almofadas encapadas com um
crochê em barbante cru, retirar seus chinelos pantufas e esfregar as mãos no
rosto, ocorreu-lhe o seguinte pensamento: “Eu sei o que é entristecer,
realmente eu sei me entristecer, não sei se por hábito, necessidade ou auto
piedade, mas sou ‘profissional’ nesse ramo. Será que outras pessoas se
aborrecem tanto e com tanta freqüência como eu? Tenho clara noção de que o
problema está em mim, e, diga-se de passagem, bem arraigado. Mas minha
tendência em atribuir esse desconforto emocional está sempre direcionada ao
outro. Aquele que frustra minhas expectativas sobre os acontecimentos, aquele
que com suas idéias consegue ruir minhas convicções, todas construídas com
muito sacrifício de tempo em leituras diárias sobre assuntos de meu interesse,
e aquele, aquele, principalmente aquele mais jovem e estúpido que não viveu
direito as amarguras da vida, a perda de uma esposa, a vida sem descendentes,
ah como eu queria esganar alguns jovenzinhos idiotas. Talvez pensem que eu sou
mais coitado que eles, mas sabe-se lá, somos livres para julgarmos quem
quisermos e como quisermos.”
As mãos de Alberto acabaram de esfregar
o rosto, como se o lavasse com água, mas com o que naquele momento esfregara
seu rosto era mágoa e não água. E todo esse pensamento amargo não durou mais do
que o subir e descer de suas mãos por duas vezes. O turbilhão de idéias ainda
estaria por vir, ele sabe que seu travesseiro antialérgico, anti ácaro, anti
mofo só não é anti amargura, anti ressentimentos. Se bem que pelas últimas
noites tem sido um pouco diferente.
Ao deitar-se Alberto percebeu ainda, que
ele mesmo é sua própria assombração: “E ainda tem essa, moro sozinho numa casa
mal assombrada, mal assombrada por mim mesmo. E é bem verdade que me sinto como
um fantasma. Tem sido assim desde que Eleonora morreu, levou consigo o amor que
havia em mim, a gentileza que herdei de minha família, e o seu sorriso doce que
não se desfazia. Sei que ela não levou nada disso, eu é que joguei tudo dentro
de seu caixão antes de o fecharem para o cortejo. Fui um covarde, não tive
coragem de ver o sepultamento e isso me custou revolta e indignação de outros,
outros que não sabem o que sinto realmente e como seria insuportável viver com
a imagem de um caixão levando em seu interior tudo que de bom havia em meu
interior. Eleonora era a minha essência, minha vida, e essa é a razão pela qual
passei a pensar que virei um fantasma que assombra a casa onde Eleonora viveu e
não uma pessoa que mora onde viveu com Eleonora.”
E a sucessão de pensamentos derrotistas,
mórbidos e melancólicos cessou ao formar-se em sua mente a imagem de um lugar
com um curso de água límpida e corrente, de pouca profundidade e cercado de
pedras limosas, com um musgo de um verde muito mais intenso que a sua própria
esperança. Alberto chega até a ouvir o som da água, talvez essa a distração que
o impeça em ouvir a voz de sua mente. Dessa maneira consegue adormecer por
todas as noites. Vem sendo assim desde que iniciou as sessões de terapia, a tal
condição que lhe impuseram para que continuasse no emprego.
Alberto sempre foi um funcionário
responsável, sem muitos talentos ou habilidades, mas sempre sério e caprichoso.
Sempre começou e terminou com êxito uma tarefa. Mas a morte de Eleonora foi como
uma amputação de um membro. Tornara-se um deficiente. Nos dois últimos anos
precisou da assistência médica da qual nunca precisou a vida inteira, e com
muito sacrifício, amigos, colegas e médicos o convenceram a procurar um
terapeuta. “Mas isso é coisa de gente fresca, sem pulso para encarar a vida.”
Sempre foi esse o pensamento de Alberto,
mas quando da morte de Eleonora percebeu o quanto era fraco e cheio de
dificuldades de encarar a vida por si só. Talvez a amada, ainda imortal em seu
sentir, tivesse total influência na fonte de energia vital de Alberto, agora
enfraquecido por uma anemia chamada morte, a morte da ‘minha metade de fora’,
assim era como ele definia o que Eleonora representava para ele. Nessa sua
definição havia uma questão existencial e outra até poética, que pensava ele se
tivesse mais habilidade com as palavras dedicasse um breve conjunto de poemas a
Eleonora. Gostava de ler, Alberto adorava a leitura. Era seletivo nos assuntos,
mas limitava-se a textos não muito longos, ou livros até mais longos, mas com
capítulos curtos a serem lidos esparsamente. Gostava de alguns poetas que
remetiam ao romantismo alemão, da época dos compositores clássicos das
sinfonias suntuosas, dos temas ideais. Por certo acabou um dia seduzido pelo ‘lado
obscuro’ onde andaram Goethe e Allan Poe. Quando conheceu um poema de Poe que
falava de uma Lenore que havia partido, chorou de dor e nunca mais o leu.
Pensou que naquele dia havia sentido a dor de perder Eleonora, mas não fazia a
menor idéia do quão profundo o corte que arrancou a metade de fora poderia ser.
Doloroso e impiedoso, como o golpe do ceifador que veste negro.
Alberto continuava naquele momento as
práticas meditativas e de relaxamento que vinha aprendendo. Com a imagem
daquele local agradável e de sons suaves, não chegava a sentir seu corpo
tocando o tecido do lençol sobre o colchão e tampouco o edredom que o cobria.
Alguns fragmentos de pensamentos e ressentimentos do dia formavam certa névoa
por sobre o curso d’água, mas a brisa suave de sua respiração a dispersava
quase que prontamente. E nesse exercício mantinha-se calmo, tranquilamente
sentindo o pulsar de seus vasos sanguíneos. O bater de dentro do peito num
compasso constante e o ritmo que impunha ao entrar e sair do ar em seus pulmões
faziam-no sentir dono de seu corpo e quase que dono de sua mente. Nesse momento
era tomado por um alívio muito acima de um prazer imediato, intenso e
passageiro ou perturbador como sexo sem amor, uma forma de conforto não só do
corpo, mas do ser por completo. Sabia que era possível ir além, mas por
enquanto contentava-se nesse pequeno refúgio com água, pedras e pouco verde. O
mais importante era o silêncio dentro de sua mente, os barulhos exteriores já
não eram ouvidos há muito.
E para esse lugar Alberto ia todas as
noites antes de adormecer e nesse dia não foi diferente, adormecera.
O relógio que deixava na escrivaninha do
outro lado do quarto estava marcando exatamente quatro horas e trinta e sete
minutos da manhã, ainda faltava treze minutos para o despertar de Alberto. Um
estrondo do lado de fora. “Talvez um trovão”, pensou Alberto logo depois de
abrir os olhos devido ao susto. Manteve-se imóvel na cama e tornou a fechar os
olhos, mas sabia que não iria adormecer novamente. De súbito decidiu fazer uma
prece antes de levantar- se, mas não para um deus ou qualquer outra entidade
que se conheça, uma prece apenas, sem destino diferente de seu próprio bem
estar.
Nunca crera em doutrinas ou entidades
religiosas, num deus talvez, mas não dedicava sua atenção a esses assuntos ou
pensamentos. De alguma forma, essa sua nova prática diária trazia certo
conforto a ele que inevitavelmente o levou a pensar que vinha de um plano
realmente espiritual. Sua prece parecia se dirigir a uma imagem dele mesmo se
orientando em manter a tranqüilidade da mente e os maus pensamentos habituais
distantes.
Sentiu-se confortável naquele instante,
mas o toque do despertador ruiu toda a tranqüilidade daquele momento e acabou
por provocar um desconforto que saiu debaixo do edredom junto a ele e
arrastou-se grudado em uma das pernas até meter-se de baixo do chuveiro. Um
banho bem breve, apenas para que despertasse.
Alberto não assinava nenhum tipo de
impresso com notícias que fosse entregue em seu domicílio, gostava de passar
logo cedo, por umas duas ou três vezes na semana, na banca do Ishiro, um
japonês que fala um português engraçado, e que diverte Alberto ouvi-lo falando,
Ishiro tinha sabedoria e pensamento orientais, o que sempre tornava certo uns
quinze minutos de conversa saudável até chegar o horário da condução.
Alberto preferia aproveitar o tempo de
viagem para fazer a leitura das ‘notícias inúteis’ - essa era a definição que
Alberto tinha sobre as notícias dos jornais contemporâneos – durante o trajeto
e não desperdiçar tempo em casa com isso. O que tornava curto o tempo entre
acordar e sair de casa.
E ao tomar sua condução para o trabalho
sabia que o dia o transformaria no fantasma que se deitou ontem, o fantasma de
Alberto que assombra a casa onde viveu Eleonora.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
The Funeral (Um funeral em versos)
THE FUNERAL
The son was sad
The daughter went mad
The mom cried, breathed in deeply and fell on the ground
The raven wearing its black elegant suit
Was standing, staring at every moment of that morning
While someone else was moaning
The son still cries
The daughter became angry
The mom was still lying on the grass beside the grave
The raven in a black feather coat
Was standing, staring at everyone
Wearing those pathetic black clothes
The son still cries
The daughter was turning into insanity
The mom was taken away
The raven wearing a perfect black crush hat
Was standing, staring at all those fools
And watching the gravedigger disappear beyond the hills
The son had stopped his crying
The daughter was finally hysterical
The mom was declared really dead
The raven rose from the tree, above the grave
Took a brief flight over everyone at that funeral
And landed on an old rotten log
The mom was really gone
The daughter finally got crazy
The son, the son… yes,
He said to the raven:
‘Let’s go my friend,
Who didn’t notice you
Doesn’t understand life
Doesn’t understand that we’re like grass
Waiting for a reaper,
The Grim Reaper that owns you’
The raven took another brief flight
Till the shoulder of the son
Meanwhile the coffin was buried
And the grave was sealed,
The mom was taken to a morgue
And the daughter sent to Arkham.
Probably now she’s having some fun with Joker.
And don't ask about who was dad...
It doesn't matter : now he's buried and...
He's The dead!
The daughter went mad
The mom cried, breathed in deeply and fell on the ground
The raven wearing its black elegant suit
Was standing, staring at every moment of that morning
While someone else was moaning
The son still cries
The daughter became angry
The mom was still lying on the grass beside the grave
The raven in a black feather coat
Was standing, staring at everyone
Wearing those pathetic black clothes
The son still cries
The daughter was turning into insanity
The mom was taken away
The raven wearing a perfect black crush hat
Was standing, staring at all those fools
And watching the gravedigger disappear beyond the hills
The son had stopped his crying
The daughter was finally hysterical
The mom was declared really dead
The raven rose from the tree, above the grave
Took a brief flight over everyone at that funeral
And landed on an old rotten log
The mom was really gone
The daughter finally got crazy
The son, the son… yes,
He said to the raven:
‘Let’s go my friend,
Who didn’t notice you
Doesn’t understand life
Doesn’t understand that we’re like grass
Waiting for a reaper,
The Grim Reaper that owns you’
The raven took another brief flight
Till the shoulder of the son
Meanwhile the coffin was buried
And the grave was sealed,
The mom was taken to a morgue
And the daughter sent to Arkham.
Probably now she’s having some fun with Joker.
And don't ask about who was dad...
It doesn't matter : now he's buried and...
He's The dead!
RISEN
Extend your patience for a moment
Stop the desires and change the laments
Enhance your madness and move it into sadness
Pretend the light is black
The flesh is not red
And there’s nothing inside of your head
But no,
The flesh is still red and so the blood
Your hands are so far, so far away
Then they can’t make it or take it
Whatever it is
So, it is
So, it will be
So, shall we
Get into these insane dreams?
Extend your desires till they turn into laments
Stop the pattern and change the paths forever
Enhance your sadness more and more,
Turn it into madness
Pretend the darkness is light
The red is blue
And there’s nothing to see inside of you
The flush is turning, so fast, so fast
That you can’t merely see it
Your hands are so fast, so fast that you can really grab it
The flesh, the flush, the blue fish
Whatever it is
So there it is
So there it will be
So shallow it swims
Would we dare dive within?
Extend your hands for the flash
Change directions and die mad
There’s a slim chance to pretend
You’re not really dead
Stop the desires and change the laments
Enhance your madness and move it into sadness
Pretend the light is black
The flesh is not red
And there’s nothing inside of your head
But no,
The flesh is still red and so the blood
Your hands are so far, so far away
Then they can’t make it or take it
Whatever it is
So, it is
So, it will be
So, shall we
Get into these insane dreams?
Extend your desires till they turn into laments
Stop the pattern and change the paths forever
Enhance your sadness more and more,
Turn it into madness
Pretend the darkness is light
The red is blue
And there’s nothing to see inside of you
The flush is turning, so fast, so fast
That you can’t merely see it
Your hands are so fast, so fast that you can really grab it
The flesh, the flush, the blue fish
Whatever it is
So there it is
So there it will be
So shallow it swims
Would we dare dive within?
Extend your hands for the flash
Change directions and die mad
There’s a slim chance to pretend
You’re not really dead
CHAINED
I'll wait some more
But sometimes I think to myself
What for?
I'll ask why
And then explain the reasons
For these stains,
These chains.
Sometimes it hurts
I don't recall
Some other times it rips
I don't feel anymore
I'll ask why
And then forget the reasons
For these chains,
These stains.
But sometimes I think to myself
What for?
I'll ask why
And then explain the reasons
For these stains,
These chains.
Sometimes it hurts
I don't recall
Some other times it rips
I don't feel anymore
I'll ask why
And then forget the reasons
For these chains,
These stains.
ALL ENDS IN A POEM
we are all in a boat
and it’s called life
we lived our lives separated
life tore us apart
neither love nor hate
life did this to us
we are all writing some poems
anyone, anywhere, anytime
verses are in line
strophes are leaving
and poetry is the holy hole inside this boat
that make us sink like a rock
and saves us from our weird nature
and from unwanted salvation
and it’s called life
we lived our lives separated
life tore us apart
neither love nor hate
life did this to us
we are all writing some poems
anyone, anywhere, anytime
verses are in line
strophes are leaving
and poetry is the holy hole inside this boat
that make us sink like a rock
and saves us from our weird nature
and from unwanted salvation
domingo, 5 de maio de 2013
A luz da graça
Tua beleza não se mostra
Apenas através dos traços do rosto
Ela reluz toda vez em que se transformam
Num sorrir suave
Tua beleza não está
Nos contornos perfeitos
Que meus olhos veem
Também não se revela
Em teu andar sutil
Que mais se parece com um balé
Onde sou um mero expectador
Não aparece nos cabelos que descem
Ao lado da tua face alva
Tocando levemente o pescoço
E repousando por sobre os ombros
Que são como abismos onde ela cai
Até repousar por sobre as mãos delicadas
Que desenham gestos no ar
E nem é levada por elas
Toda tua beleza
Seria morta diante de mim
Sem a tua graça
A luz que me faz vê-la
De que me adianta
A graça que ilumina
Tua beleza de ninfa
Se não conheço o timbre da tua voz
E a melodia do teu falar
Qual o sentido em admirar
Teu pescoço de contorno perfeito
Sendo que nunca ouvi
O vibrar das cordas que este esconde
Meus ouvidos atentos
Desejam ser surdos
Em solidariedade aos olhos que temem
O que aqueles venham a ouvir
E de nada me serve
Essa luz absorvida por meus olhos
Que refletem todas as cores
Restando apenas a melancolia
De um azul inútil
Beleza sem a graça
Graça sem o amor
São como versos no papel
Alimentando uma traça
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Sobre meus versos
I-
Versos vividos
Versos fingidos
Versos sonhados
Não importa,
Escrever é a lei!
II-
Quero versos livres
Simples e claros
Sem dor
Sem excesso
Quero versos livres
Sem raciocínio
Sem lógica
Descomplicados e límpidos
Quero versos livres
Livres
Livres
Livres de mim
Da minha tristeza
Mas que todos permaneçam trancados em meu caderno.
III-
Uns versos vermelhos
De pena exangue
Extravasam constantemente
Outros versos ardentes
Da pena de Fênix.
Extinguem momentaneamente versos coxos
De um arremedado desejo parnasiano
Aqueles mal escritos
De meias palavras
De nenhum entendimento
O verso
O reverso
O sentido
O indesejado avesso ao verso do verso
Versos vividos
Versos fingidos
Versos sonhados
Não importa,
Escrever é a lei!
II-
Quero versos livres
Simples e claros
Sem dor
Sem excesso
Quero versos livres
Sem raciocínio
Sem lógica
Descomplicados e límpidos
Quero versos livres
Livres
Livres
Livres de mim
Da minha tristeza
Mas que todos permaneçam trancados em meu caderno.
III-
Uns versos vermelhos
De pena exangue
Extravasam constantemente
Outros versos ardentes
Da pena de Fênix.
Extinguem momentaneamente versos coxos
De um arremedado desejo parnasiano
Aqueles mal escritos
De meias palavras
De nenhum entendimento
O verso
O reverso
O sentido
O indesejado avesso ao verso do verso
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