"(...)
fui colocado em contato com o impostor,
o espírito maldoso,
e manobrou-me para uma luta sem fim durante a vida
da qual não havia escolha,
a não ser escrever a minha saída.
(...)"
William S. Burroughs em Queer
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Senha
Abram-se todas as portas
Com palavras retas
E poemas tortos
E ouvidos bestas
Abram-se todas janelas
Que as feias
De calcinhas e meias,
Calçolas e camisolas
Querem dançar
Fechem todas as bocas
Que a poesia quer
Que a prosa cale
Façam da língua faca
Afiada no pescoço,
Da moça, do moço
Língua escrita
Vontade bonita
Calem-se todos e não digam
Senha nenhuma!
Sua senha para me ouvir
Sou eu quem fala:
--Cala a boca!
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Ciência exata
Escrever é preciso
Uma ciência exata
Saber sintática
Saber gramática
Escrever é preciso.
Pingos nos is,
Vírgulas,
Rimas.
Ah! Inferno de
precisão.
Dicionários
De rimas
Sinônimos
E antônimos
Escrever é preciso
É precioso
É poderoso.
Quando escrevo sou
poderoso,
Liberto-me de
fantasmas.
Liberto-me porra
nenhuma
Apenas os aprisiono
Atrás das grades
destas linhas
E volto sempre pra
vê-los
Aprisionados
heroicamente por mim,
Minha caneta
E meu caderno
Mas quando me olham
Por de trás das
grades,
Escarnecem.
E dizem que quem
está preso
Sou eu!
Do outro lado das
grades
Aprisionado na
precisão da escrita.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
De braços e lápis dados continua . . .
"Caro senhor Joaquim; primeiramente
peço-lhe perdão pela liberdade tomada nesta carta já que nosso relacionamento
sustenta poucos anos de superficialidade cotidiana, fato que tornaria quase
injustificável uma confissão como a que eu farei. Mas a questão é exatamente
essa: eu não estou aqui com a finalidade de estreitarmos nossos laços, muito
menos possuo qualquer ilusão de que o senhor poderá, por meio destas ............................... " clique acima, para ler interio!
Rotina
Na superficialidade cotidiana
Dos cordiais 'bom dias', 'bom descanso'
Eu muito manso, quieto...
Descobri uma moça.
Que me fez deixar de lado
O olhar obsceno, do desejo pequeno
Aprendi o olhar simples
Que não traz desejo, angústia
Olho-a, rezo-a
''Te tenho uma reza"
Sempre digo a ela!
Ladainha dentro do pulso
Sinto e ressinto, mas não engano,
Não minto, só omito!
Ah o tal amigo do Joaquim...
Não sou eu, e de quem falo é moça
Que me espreme e força
A não querer mais do que devo
A rotina, desse Joaquim, parece banal
A minha um conforto
Absorto na graça austera,
Complicação sincera,
Pensamento célere
Vê-la na surpresa da imprevisibilidade
De sua cotidiana elegância,
Alternância...
Um dia lentes
Noutro óculos
A moça, vejo todo dia
Dia a dia,
E a cada um que passa
O outro pra trás...
Que bem poderiam ser
Seus passos em minha direção
Vindo entregar-me uma carta
Dizendo...
Ah! nem é preciso dizer...
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
De braços e lápis dados!
Eu e metade de Mariela Mei atrás, em foto tirada no dia do lançamento do livro
'Bolas de Gude' de Mariela Mei.
Leiam na íntegra em :
domingo, 2 de outubro de 2011
Quitanda (a Eça de Queirós)
...escrito talvez numa tarde de maio em 2011
Talvez deva mesmo
Abrir uma boa quitanda
Dedicar meu precioso tempo
Em algo útil, vender comida, fruta.
Lindas mangas, brilhantes de cor intensa
Subjugo meus sentimentos a outro
Que deveras não irá senti-los
Minhas doces mangas
Ah estas sim, sentirão de fato o sabor.
Entrego-me despido
Sem pudores moralistas
Pensando ser altruísta
Que alguém se identifique
E o que vivi lhe sirva de ajuda
Ledo engano
Vou é vender fruta
Mesmo.
‘Bom dia senhora’
‘Obrigado pela preferência’
‘Tchau, até amanhã’
Quanta gentileza!
Apodreçam meus versos
Todos na gaveta
Amadureçam os frutos
Todos na prateleira
Um livro meu?
Só se for do fluxo de caixa
Da minha nova empreitada.
Minha prosa e poesia serão encaixotadas
Junto das berinjelas velhas
Chicórias murchas
Tomates podres
E depois jogados
À terra virgem
Para servirem de adubo
A algo que cresça
E sirva para alguma coisa
Minha quitanda vai chamar-se:
Livraria.
E vai ter livro com casca
E fruta com capa
E versos de cebola
E cachos de letras
E abobrinha do tipo prosa
E poesia do tipo goiaba
E verde...
Só Cesário.
E eu...
Vou ser empresário.
---------------------------------------------
Parece que ao fim da vida, Eça de Queirós disse que teria sido mais útil a sociedade se tivesse aberto uma Quitanda.
Assinar:
Postagens (Atom)

