terça-feira, 16 de agosto de 2011

Lilith

Depois de tudo
Destruído
Ruído

Deu-me de um pedaço
De mim
Que nem sequer fui questionado

De meu lado
Mutilado
Parte arrancada
Transformada

Que me fez cego
E desobediente

E outrora
Houvera
Bela
Por entre as eras e heras

A que me criara
A que me dominara
A que não me oferecera
Nada

Nem companhia
Nem culpa
Somente presença
Não do lado
De onde a outra me foi tirada

Sim em frente
De frente
Em princípio sem rosto
Em princípio sem nome
Em princípio sem toque
Em princípio sem voz

De mãos que falam
De rosto imóvel
De carícia...
Sem presença
Sem desespero

Dá-me essa mulher!
Devolve-me essa costela!
Sou dela
Agora...
Inteiro dela

E para refeição
Serpente!
Serpente ao molho de maçã...
Por que entre eu ela não há pecado
Nem da carne
Nem da gula
Nem de nada

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